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Hipotireoidismo Subclínico: Definição, Diagnóstico, História Natural e Significado ClínicoVOLTAR

O hipotireoidismo subclínico (HSC) tem prevalência estimada na população geral de 4-10%, sendo maior no sexo feminino, idosos e inversamente proporcional ao conteúdo de iodo na dieta.

RECOMENDAÇÕES SOBRE DEFINIÇÃO E DIAGNÓSTICO

1 – Apesar de o termo subclínico associar-se à ausência de sintomas óbvios da falência hormonal da glândula tireoide, o HSC é definido bioquimicamente pela elevação dos níveis séricos do TSH na presença de concentrações séricas normais do T4 livre (T4L).

2 – O valor de referência para TSH sérico normal para adulto comumente utilizado para todas as raças, gêneros e etnias provêm de grandes estudos populacionais e está entre 0,4 e 4,5 mU/L. É importante avaliar intervalos de normalidade para cada faixa etária, considerando as populações pediátrica e de idosos. Em gestantes, são esperados valores até 2,5 mU/L no primeiro trimestre e até 3,5 um/L nos dois últimos trimestres como limites de referência na ausência de referências laboratoriais locais.

3 – O diagnóstico do HSC é bioquímico e consiste na detecção de concentrações elevadas de TSH na presença de níveis normais de T4L, excluindo-se outras causas de elevação do TSH. O consenso aceita valores até 20 mU/L como limite máximo para o TSH no diagnóstico do HSC.

Causas de elevação do TSH mediante T4L normal:

Elevação Transitória

  • Ajustes na dosagem de levotiroxina
  • Hipotireoidismo subtratado com levotiroxina
  • Recuperação as tireoidite subaguda
  • Após radioiodo para doença de Graves
  • Fase de recuperação da doença de Graves

Outras Causas

  • Elevação do TSH com o passar da idade
  • Uso de TSH recombinante em paciente tratado para câncer de tireoide
  • Reação do TSH com anticorpo heterofilo
  • Mutação do receptor de TSH

4 – O TSH deve ser solicitado mediante suspeita clínica ou como screening em indivíduos com risco para o HSC (mulheres acima de 35 anos, história prévia ou familiar, submetidos à cirurgia tireoidiana, terapia com radiação externa do pescoço, diabetes tipo 1, história pessoal ou familiar de doença autoimune, síndrome de Down e Turner, uso de lítio ou amiodarona, depressão, dislipidemia e hiperprolactinemia).

5 – O HSC persistente ou progressivo deve ser diferenciado de causas de elevação transitória do TSH, as quais podem regredir durante o seguimento, particularmente aqueles com TSH < 10 mU/L. O TSH deve ser repetido, inicialmente, em três meses para confirmação de HSC persistente.

6 – HSC poderia ser classificado de acordo com as concentrações séricas de TSH, considerando-se as taxas de
evolução para hipotireoidismo manifesto e o risco de eventos coronários e de mortalidade em leve, moderado e grave (TSH > 10 um/L).

Recomendações Sobre História Natural

7 – Sexo feminino, nível do TSH sérico, autoimunidade tireoidiana (anticorpos tireoidianos positivos) e ingestão aumentada de iodo são fatores de risco associados com a progressão ao hipotireoidismo manifesto. TSH < 10 mU/L associa-se com maior risco para progressão ao hipotireoidismo em adultos e idosos.

8 – O risco de progressão ao hipotireoidismo é baixo entre crianças e adolescentes, mais provável na presença de bócio, doença celíaca, anticorpos antitireoidianos positivos e com níveis mais elevados de TSH.

9 – A determinação dos anticorpos anti-TPO e o ultrassom da tireoide podem ser úteis na determinação da etiologia do HSC e na predição do risco de progressão ao hipotireoidismo manifesto.

Recomendações Sobre o Significado Clínico

10 – O HSC pode ser sintomático em pequena proporção de pacientes, mas não há evidência sobre os efeitos do HSC na qualidade de vida e na função cognitiva. Em idosos, o HSC não se associou com efeitos sobre a função cognitiva, depressão e ansiedade.

11 – Há discordância entre os estudos populacionais sobre uma potencial associação do HSC com dislipidemia, mas TSH > 10 um/L, tabagismo e resistência insulínica associam-se com maior risco para dislipidemia no HSC.

12 – Há escassos estudos na literatura sobre os efeitos do HSC no endotélio vascular, a maioria com amostra insuficiente de pacientes, limitando o poder de evidência sobre a relação causa-efeito.

13 – Estudos populacionais não observaram evidência consistente de efeitos do HSC sobre a estrutura cardíaca e nas funções sistólica e diastólica.
14 – Há evidência mostrando associação significativa do HSC com insuficiência cardíaca congestiva, particularmente em idosos e para níveis de TSH acima de 10 mU/L.

15 – Há evidência consistente sobre a associação do HSC com o risco de doença arterial coronariana e de morte por doença arterial coronariana, particularmente para valores do TSH > 10 um/L, mas não em idosos.

Referência Bibliográfica
1. Sgarbi JA et al. Consenso brasileiro para abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo
subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e MetabologiaArq Bras Endocrinol Metab. 2013;57:166-183

 

TEXTO TRANSCRITO NA INTEGRA DO INFORMATIVO ELETRÔNICO LABCOM (www.labrede.com.br)

PDF PARA DOWNLOAD: Lab com – Hipotireoidismo subclínico

 

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